A VII Bienal de Psicanálise e Cultura da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto oferece, neste site, informações sobre o evento, o programa, os convidados, o local e as inscrições, que serão periodicamente atualizadas e expandidas.
O tema desta edição da Bienal, a degradação da função do sonhar nos tempos atuais, será desenvolvido em uma rica programação. Em intersecção com a Cultura, a obra literária “A Divina Comedia” de Dante Alighieri irá nortear o encontro. Confira aqui os detalhes!
Conheça os convidados que irão desenvolver o instigante tema desta edição da Bienal!
Notem os valores das inscrições e prazo para o parcelamento. Dependendo do mês da inscrição, haverá mais prazo. E não esqueça: as vagas são limitadas!
Renata Martelli atua de forma multifacetada nas artes cênicas, no audiovisual e na música. Atriz, performer, arte-educadora, contadora de histórias, roteirista e diretora. Formou-se em Cinema/Comunicação Social pela FAAP-SP e fez formação no Centro de Pesquisa Teatral “Antunes Filho” (SP). Fundou, em 1997, o Grupo de Teatro “Los Muchos tchá-tchá-tchá”, que até hoje desenvolve espetáculos ligados à saúde e bem estar, atendendo prerrogativas do SUS, apresentando em Ribeirão Preto e cidades da região. O grupo foi contemplado em editais públicos (PIC, ProAc e LPGRP), ampliando ações e capilaridade. Como atriz convidada trabalhou nos grupos teatrais “Fora Do Sério” e “Cia Cornucópia”. Realizou projetos de audiovisual em Ribeirão Preto e São Paulo, com atuação em curtas e longas-metragens. Como atriz-cantora, realizou, entre outros, o show “O que é que a Carmen Miranda tem?”, se apresentando nos SESCs Ribeirão Preto e região, SESC Consolação (SP) e teatros. Gravou disco com bloco de carnaval “Os Alegrões”. Contadora de histórias para crianças e adultos, se apresentou em unidades do sistema S (SESC e SENAC), além de teatros e Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto por 8 anos, entre outros. Atriz/performer e roteirista em projetos (teatro e audiovisual) da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP), desde 2010, tendo participado do Congresso Internacional de Bion “Pensamentos Selvagens” em 2018 e outros. Atriz em espetáculos teatrais na Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto: SAM de 22, Cora Coralina e Florbela Espanca. É professora de teatro há 28 anos na Escola Miró e por 3 anos na FEA-USP (Projeto Comissão de Inclusão e Pertencimento). Participou da “VERBO-Mostra de Performance”/Galeria Vermelho (SP), em parceria Espaço Escada (RP), com a performance “Never More/Nunca Mais- looping”. Recebeu prêmio de Melhor Atriz pelo curta “Miss Coração Solitário” e indicação ao prêmio de Melhor Atriz pelo espetáculo “Romeu e Julieta”, da Cia. Cornucópia.
Maurício Santana é professor de Letras da USP e tradutor da Divina Comédia. Graduado em Português-Italiano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é Mestre em Letras, Ciência da Literatura, pela mesma universidade, e Doutor em Letras, Teoria Literária e Literatura Comparada, pela Universidade de São Paulo. Tem pós-doutorado na Università degli Studi di Roma “La Sapienza” e na Sorbonne Nouvelle Paris 3. É Livre Docente em Letras Modernas e Estudos da Tradução na USP. Maurício já traduziu e organizou mais de 80 títulos consagrados da literatura, entre os quais 40 Novelas de Luigi Pirandello, pelo qual recebeu o Prêmio Paulo Rónai da FBN em 2008, assim como o Prêmio Paulo Rónai da FBN pela tradução do Inferno de Dante Alighieri em 2022. Em 2020, também recebeu o honroso Prêmio Nazionale per la Traduzione do Ministério da Cultura e do Turismo da Itália (MIBACT).
Marcelino Freire é escritor e editor. Nasceu em Pernambuco, em 1967, e morou na Bahia e em Recife, onde teve contato com seus primeiros grupos de teatro e leituras de poesias. Radicado em São Paulo, dedica-se à escrita, palestras, oficinas de escrita criativa e edições literárias, de forma apaixonada e intensa. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2006 com Contos Negreiros. Criou a Balada Literária, evento anual que acontece em São Paulo desde 2006, com edições em Teresina e Salvador, reunindo escritores e artistas para debates sobre arte contemporânea. Em 2002, criou o blog EraOdito e, a partir de 2011, escreve no Ossos do Ofídio, sites que funcionavam como diário do escritor e veículo de divulgação de seu trabalho e de eventos literários. Em 2013, publicou seu primeiro romance, Nossos Ossos, ganhador do Prêmio Machado de Assis de Melhor Romance pela Biblioteca Nacional. Seus livros já foram publicados na Argentina, México, Portugal e França.
Margareth Dalcolmo é médica, professora, escritora e pesquisadora. Graduada em medicina pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM), realizou sua residência médica em pneumologia na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Após ampla formação em especializações, Dalcolmo recebeu seu doutorado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É professora adjunta da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e atua como pneumologista, com grande experiência clínica, além de pesquisadora na Fiocruz. Em 2022, assumiu a cadeira número 12 da Academia Nacional de Medicina (ANM). Durante a pandemia de COVID-19, Margareth ganhou papel de destaque, sendo considerada uma das principais especialistas do país. Tornou-se participante ativa nos principais meios de comunicação nacionais, com o intuito de alertar a população sobre os riscos da doença e difundir a ciência. É autora de inúmeros capítulos de livros médicos e tem mais de 130 trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais. Ao final de 2021, escreveu o livro “Um tempo para não esquecer”, no qual tece considerações sobre o futuro da saúde e faz um balanço sobre a vida e a ciência.
Kaká Werá é ambientalista, escritor, educador e conferencista indígena do povo tapuia. Sua trajetória está profundamente ligada à promoção da sabedoria indígena, ecologia do ser e desenvolvimento pessoal. Como palestrante, já percorreu 18 países, incluindo Estados Unidos, França e Inglaterra, inspirando audiências internacionais em instituições como ONU, UNESCO, Oxford, Stanford e Harvard. Na literatura, sua contribuição é expressiva, com vinte livros publicados, abordando temas que dialogam com ancestralidade, sustentabilidade e espiritualidade. Seu trabalho literário é amplamente reconhecido; é detentor de prêmios prestigiosos como o Cátedra/Unesco 2022 e o Prêmio Jabuti 2024, um dos mais importantes do Brasil. Como educador, sua dedicação se reflete na criação e implementação de projetos voltados para a abordagem da temática indígena na educação, promovendo conhecimento, inclusão e consciência ecológica. Seu impacto nesse campo foi reconhecido por instituições como a Unesco e a Ashoka, que o premiaram por seu compromisso como empreendedor social na área da educação.
Julián Fuks é romancista, contista e crítico literário. Filho de argentinos refugiados no Brasil, cresceu na cidade de São Paulo. É mestre em Literatura Hispano-americana e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, instituição onde se graduou em Jornalismo. Também é especialista em Estética e Teoria da Arte pela Universidad Autónoma de Barcelona (UAB). Em 2012, foi escolhido pela revista britânica “Granta” como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. Foi repórter de literatura da Folha de S. Paulo e colaborador das revistas “Entrelivros” e “Cult”. Atualmente, é colunista do “Portal UOL”. Entre diversas obras publicadas, o romance “A resistência” foi vencedor dos prêmios Jabuti, Saramago, Oceanos e Anna Seghers. Seus livros já foram traduzidos para dez línguas e publicados em diversos países.
José Arbex é um jornalista e escritor brasileiro. Graduado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (1982), em 2000 obteve seu doutorado em História Social sob orientação de Nicolau Sevcenko, com “Telejornovelismo – mídia e história no contexto da Guerra do Golfo”. É professor do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e chefe do Departamento de Jornalismo da mesma universidade. É também docente da Escola Nacional Florestan Fernandes. Já foi professor da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (2001–2002).
João Cortese é professor de Filosofia no Instituto de Biociências da USP. Doutor em Epistemologia e História da Ciência pela Université de Paris 7 e doutor em Filosofia pela USP (co-tutela). Graduado em Ciências Moleculares pela USP e Mestre em História e Filosofia da Ciência pela Université de Paris 7. Pesquisador associado ao Laboratório SPHERE (Université Paris Cité e CNRS) e ao Núcleo de Bioética da Fundação José Luiz Setúbal. Coordenador da área de Ética da iniciativa “Understanding Artificial Intelligence” (UAI), no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Autor do livro Infini et Disproportion chez Pascal (Honoré Champion, 2023). Trabalha nas áreas de história e filosofia da biologia; bioética; história e filosofia da matemática; ética da inteligência artificial.
João Carrascoza é escritor, professor ECA/USP. Graduado em Publicidade e Propaganda pela Escola de Comunicações e Artes (ECA), é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela USP, onde é professor da disciplina Redação Publicitária. É também docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (SP), com pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (2014) sobre a interface publicidade e literatura. Essencialmente, é um escritor que vem publicando coletâneas de contos e romances, além de obras para crianças e jovens, que lhe valeram alguns dos mais importantes prêmios literários do país. Três vezes vencedor do Prêmio Jabuti, o maior da literatura nacional, Carrascoza é um dos grandes expoentes da história contemporânea da literatura brasileira por sua visão, experiências e desenvolvimento no campo da escrita. Publicou seu primeiro livro em 1994, “Hotel Solidão”, e desde então consolidou uma obra extensa e premiada, que transita entre o conto, o romance e a novela infantojuvenil, com uma prosa poética que flerta com o lirismo, as relações humanas e a investigação das subjetividades. Várias de suas obras já foram traduzidas para inglês, francês, italiano, sueco e espanhol.
Giuseppe Civitarese é psicanalista da Sociedade Psicanalítica Italiana. Graduado em medicina, Civitarese é Doutor em psiquiatria e ciências relacionais. É analista didata da Sociedade Psicanalítica Italiana (SPI) e Membro da International Psychoanalytical Association (IPA) e da American Psychoanalytic Association (APsA). Ministra cursos e palestras por todo o mundo, sendo reconhecido como uma das maiores vozes da psicanálise contemporânea. Tem diversos artigos e livros publicados em várias línguas nos mais respeitados veículos de comunicação psicanalítica.
Fabio Rubio Scarano é Curador do Museu do Amanhã, titular da Cátedra Unesco de Alfabetização em Futuros, e Professor Titular de Ecologia da UFRJ. Engenheiro Florestal pela UnB e Ph.D. em Ecologia pela Universidade de St. Andrews (Escócia, GB), foi Professor Visitante nas Universidades de Minnesota (EUA) e Darmstadt (Alemanha). Fabio atuou nos painéis da ONU para o clima (IPCC) e biodiversidade (IPBES), na CAPES (MEC) como coordenador da área de Ecologia, e foi dirigente no Jardim Botânico do Rio, na Conservação Internacional e na Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável. Recebeu dois Prêmios Jabuti de Literatura na área de Ciências Naturais.
Clarice Niskier é atriz. Descendente de judeus, Clarice se declara uma judiabudista. Estreou no teatro em 1981, no Rio de Janeiro. Trabalhou em várias companhias teatrais, protagonizando papéis dos mais diversos autores, dos clássicos aos atuais. Indicada para muitos prêmios, recebeu o Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro 1999 e o Prêmio Shell de Melhor Atriz em 2007, com a sua consagrada peça “A Alma Imoral”, que estreou em 2006 e é uma adaptação pessoal do livro homônimo de Nilton Bonder. Clarice ministra também cursos de teatro, escreve roteiros e tem artigos publicados na Revista IDE, publicação da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Clarice Niskier tem formação em Jornalismo pela PUC do Rio de Janeiro. Trabalhou no Jornal do Brasil e no Jornal Repórter. Também foi professora titular do Curso de Formação de Atores da UniverCidade (RJ). Atualmente, continua em cartaz com o seu espetáculo “A Alma Imoral”, comemorando quase duas décadas de sucesso. Em 2022, Clarice completou 40 anos de teatro e foi produzido pelo canal Curta um documentário chamado “Clarice Niskier: Teatro dos pés à cabeça”, dirigido por Renata Paschoal e ganhador do Kikito de Melhor Documentário em 2024, no 52º Festival de Cinema de Gramado.
Vanderlei tem a Odontologia como sua ocupação profissional e a Fotografia como meio de expressão. Iniciou sua jornada no mundo fotográfico nos primeiros anos da década de 2000 e logo se tornou obcecado com os fundamentos de uma boa foto: iluminação, equilíbrio, composição e uso do espaço. Realizou diversos cursos de técnica e composição fotográfica e se abastece do contato e da experiência com as mais variadas formas de arte e cultura para realizar seu trabalho fotográfico.
Fotografia de rua e fotografia autoral são as áreas que mais lhe atraem e para as quais dedica mais atenção.
Possui fotos aceitas em concursos de fotografia pelo país e recentemente fotografia de sua autoria foi premiada como Destaque da Crítica na 47ª Semana de Arte de Portinari, em Brodowski (SP).
A ideia de termos na VI Bienal da Psicanálise e Cultura da SBPRP uma mesa que contemplasse a esperança surgiu a partir do contato com o artigo de Hanna Segal “O silêncio é o verdadeiro crime” (1971). Segal faz referência à Nadedja Mandelstam que foi casada com Óssip Mandelstam, um dos mais importantes poetas russos, que morreu em 1938, faminto e enlouquecido, depois de ter sido perseguido pelo regime stalinista. Seus poemas sobreviveram graças a sua viúva que os sussurrou dia após dia, incansavelmente, a fim de memorizá-los e posteriormente publicá-los.
Na tentativa de nos aproximarmos do sofrimento e das motivações de Nadedja e Óssip, encontramos no livro “O que ela sussurra”, da professora e escritora Noemi Jaffe, uma das palestrantes desta mesa, inspiração para sonharmos o amor, a dor e a luta por um mundo justo e humano. Seguindo nessa direção, o artigo da psicanalista e nossa outra convidada, Miriam Malzyner, “ Sobre Memoriais: a necessidade de lembrar e o desejo de esquecer” traz instigantes questões sobre a elaboração do luto e da necessidade de mantermos viva a memória das experiências vividas. Miriam propõe a construção de memoriais no lugar dos monumentos. Certamente, será um momento único da VI Bienal. Aguardamos vocês!
“Por que, ainda, a Guerra? – Marcelo Gleiser – físico, Prof. Dr. Dartmouth College (online, Hanover/EUA) e Cláudio Eizirik – psicanalista da SPPA-IPA (Porto Alegre/Brasil). Em 1932, Einstein pergunta a Freud “Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra?” A questão que continua ecoando em nossos dias inspira a mesa que propõe um diálogo a respeito da destrutividade humana. A urgência de se explorar a complexidade dessas ações movidas pelo ódio, nos impõe a necessidade de considerar qual o compromisso ético da ciência, da arte, da cultura e da psicanálise frente à constante e inesgotável ameaça de guerra.
“As humanidades possíveis e o planeta Terra” – Maria Luiza Gastal – psicanalista da SPBsb-IPA (Brasília/Brasil) e Nurit Bensusan – bióloga, Profa. Dra. Instituto Humanitas Unisinos (Brasília/Brasil). Ao propor um diálogo entre uma ambientalista e uma psicanalista, esta mesa pretende discutir as relações do ser humano com o meio ambiente. Freud, mesmo em toda sua genialidade, era também um homem de seu tempo, de uma cultura que considerava o Homem um ser superior, senhor da natureza, a quem cabia dominá-la. A contundência, porém, da realidade atual, nos mostra um ser humano ameaçado e ameaçando a existência do nosso planeta. Conceber novas e diferentes formas de relação da espécie humana com seu entorno é uma emergência. Onde e como a psicanálise pode estar implicada nessa nova ótica?
A mesa “O Paraíso: ascensão à luz, esperança” propõe imaginarmos criativamente os destinos da Humanidade, tanto no seu viés trágico, anunciado em inúmeras obras ficcionais da Cultura, quanto no viés esperançoso, no qual o “sonhar” ocupa novamente lugar como essência do Humano.
O Paraíso sonhado por Dante em sua comédia é composto por dez níveis, nove Esferas Celestes e o Empíreo; nestes, as ‘almas justas’ viveriam em estado de glória e contemplação. Através das Esferas, Dante é guiado por sua amada Beatriz e, depois, para ser possível o acesso ao Empíreo, pelo místico São Bernardo, que invoca a intercessão da Virgem Maria, uma vez que a experiência de acesso à Essência Divina somente é possível através do Amor.
Na Bienal, o Paraíso se constitui como modelo para conjecturas imaginativas sobre a eventual “pós-cesura” da contemporaneidade, representando possíveis cenários futuros para a Humanidade, seja em caminhos sombrios que trilham a extinção do Humano como o concebemos hoje, seja no seu contraponto: a esperança de que o futuro possa conter o “sonhar” como essência fundamental do Humano.
O Paraíso de Dante, pensado em chave simbólica, não é apenas uma viagem individual rumo à bem-aventurança, mas também uma visão do destino espiritual da Humanidade — uma síntese mística, filosófica e poética sobre o fim da história humana e o sentido último da existência. Para Dante, o cosmos é ordenado pela luz (conhecimento) e pelo amor (emoção) divinos. Cada esfera do Paraíso representa um grau de aproximação da alma humana à fonte do Ser e nossa busca seria pela re-união com o Todo, na plenitude do amor.
Essa configuração pode ser compreendida de forma distinta da meramente teológica, podemos pensá-la como uma visão de mundo: o universo inteiro tende a uma unidade e é regido por uma lei de harmonia; o que se afastaria dessa ordem, como a inveja, o orgulho, o egoísmo, a vaidade etc., desintegrar-se-ia em caos (Inferno).
A jornada dantesca começa na escuridão, a “selva escura”, atravessa a purificação (Purgatório) e culmina numa visão de unicidade, onde sujeito e objeto se fundem no que ele denominou como a “luz divina”. Em termos psicanalíticos, podemos sonhar esse belo modelo como aquilo que Wilfred Bion descreveria como “esta-uno-em-O”; aliás, profundamente inspirado em Santo Agostinho, um dos sinônimos que Bion empregou para “O” foi Divindade.
Dante parece antecipar uma cosmovisão ecológica e espiritual em que tudo o que existe está interligado e o amor seria a suprema energia integrativa do Universo. Nessa visão, o destino da Humanidade dependeria do amplo reconhecimento dessa interdependência de tudo que é vivo e não-vivo, e não de forma dogmática, mas como experiência emocional interior.
A “luz divina” que Dante contempla pode ser lida como uma consciência integrada, na qual ciência, arte, filosofia e espiritualidade não se opõem; pelo contrário, se refletem em unicidade, como os “três círculos” da Trindade. O final da “Divina Comédia” não é uma fuga ou destruição do mundo, mas uma transfiguração desse. Quando Dante contempla a “nossa efígie” no rosto de Deus, ele afirma algo revolucionário: a humanidade está chamada a participar da própria divindade.
Na clara e profunda subsistência
Da luz suprema, vi três círculos
De três cores e de igual dimensão:Um parecia espelhar-se no outro
Como o arco-íris reflete o seu par,
E o terceiro era fogo igualmente alento.Oh! quão pobre é o dizer e quão fraco
Diante do que senti — tão distante
Que dizer “pouco” já seria excesso!Ó luz eterna que em ti mesma habitas,
Que só por ti te entendes e, entendendo,
Te amas e te sorris, inteligência pura!Aquele giro, concebido em ti
Como reflexo de tua claridade,
Um pouco atento aos meus olhos se mostrou,E dentro de si, da sua cor mesma,
Parece-me pintada a nossa efígie:
Por isso o meu olhar se prendeu inteiro.Como o geômetra que se afadiga
Para medir o círculo e não encontra,
Pensando, o princípio que deseja,Tal era eu perante aquela visão:
Queria ver como se ajustava a imagem
Ao círculo e como nela se incluía;Mas não bastavam as minhas próprias asas.
Então, de súbito, a mente foi tocada
Por um fulgor que satisfez o seu desejo.Aqui faltou à alta fantasia a força;
Mas já movia o meu querer e o meu desejo,
Como uma roda, o amor que move o sol e as outras estrelas.
Isso ecoa um destino para a Humanidade de caráter transcendente: os tempos atuais poderiam ser vistos não como destruição, mas como revelação. A palavra apocalipse, evocada para o fim dos tempos, vem do grego apokalypsis e significa “desvelamento”, ou seja, podemos pensar no Inferno e no Purgatório que a Humanidade atravessa como a anunciação da necessidade de superação da dualidade entre sujeito e objeto, humano e natureza, matéria e espírito em direção do advento de uma consciência planetária, aquilo que na “Divina Comédia” está lindamente representado pela “rosa celeste”, na qual todas as almas são pétalas de uma mesma luz. O Paraíso torna-se, então, uma imagem da transformação do humano em consciência luminosa, não pela negação da Terra, mas pela sua transcendência: o mundo inteiro como “rosa celeste”.
A mesa “O Purgatório: transformação e cesura” se dedicará aos eventos atuais aos quais estamos todos enfrentando, procedentes das mudanças no comportamento humano: saturação de informações, aceleramento do tempo, perda das referências simbólicas, traumas sociais, ruptura das instituições tradicionais etc.
Purgatório é um lugar de dor, mas de uma dor qualitativamente distinta da do Inferno. Ela é venenosa e curativa ao mesmo tempo, o que torna o purgatório o espaço mais paradoxal e profundamente humano da Comédia. A ambivalência do Purgatório o aproxima do processo de reflexão interna e transformação psíquica.
A palavra purgatório vem do latim purgare, que significa “limpar”, “expurgar”, “purificar” — mas também carrega, desde os tempos antigos, a conotação de purificar através do sofrimento. O verbo purgare, etimologicamente, carrega a ambiguidade da dor e da esperança de expelir veneno do corpo e expurgar (purificar) os ‘pecados’ da alma, constituindo-se assim numa experiência emocional onde a dor se torna instrumento de evolução e crescimento. O fogo que queima é o mesmo que cura.
“Purgar” implica atravessar o veneno para alcançar a cura. Nesse sentido, purgar se aproxima do conceito psicanalítico chamado “Cesura”, uma palavra também derivada do latim (caesura), que significa corte ou separação. As cesuras são travessias, portais, que separam e unem estados emocionais que são ao mesmo tempo diferentes, mas que têm suas continuidades. Um exemplo clássico, cunhado por Freud, é a cesura do nascimento: ao nascermos, uma mudança radical na vida ocorre, do mundo subaquático do líquido amniótico passamos a respirar o ar, as pressões mudam, assim como os sons, a visão… Tudo é novo! No entanto, Freud mesmo nos aponta para as continuidades que existem entre a “impressionante cesura” da vida pré e pós-natal, apontando para o fato de que muito de nossos comportamentos tem raízes nessas épocas ancestrais, das quais não temos a menor lembrança…
Mas foi Wilfred Bion (Mathura, 1897—Oxford, 1979), um consagrado psicanalista contemporâneo, quem expandiu esse termo para o uso clínico em psicanálise, enfatizando o fator trânsito, a transiência, o movimento entre os diferentes estados mentais. É nesse sentido transitivo que pensamos a mesa do Purgatório para representar o momento atual que a Humanidade atravessa; queremos refletir sobre as mudanças, as ‘purgações’, as transformações profundas em todos os campos da ciência, da tecnologia, da sociologia, da antropologia, da política, do comportamento e, especialmente, do “sonhar” humano. Não sabemos para que direção vamos, se ela será uma evolução positiva de crescimento ou se estamos caminhando destrutivamente, mas é óbvio que mudanças radicais estão em evolução.
Na clínica psicanalítica, sabemos o que é a dor que ‘cura’. As pessoas em geral procuram evitar a qualquer custo o sofrimento seja físico ou psíquico, mas sabemos que visitar o ‘purgatório’ em busca de evolução redentora traz o alívio que é real e duradouro. Dante descreve as almas do Purgatório com um misto de compaixão e admiração, elas cantam salmos enquanto sofrem e esse canto se constitui num ato de amor e esperança. O fogo é o veneno que liberta, representa o contato consciente com a dor da transformação: “é pelo fogo que se passa; e quem quer ser digno do outro lado, não hesite” (Purgatório XXVII, vv. 16–18).
O Purgatório, portanto, é o meio-termo alquímico, o “entre”, a “cesura” onde a alma é ‘queimada’ para se tornar ‘luz’. O sofrimento, bem como a complexa alegria pela perspectiva de expurgação, é o agente purificador da consciência, o ‘veneno’ que se transforma em experiência de vida evoluída.
O Purgatório é ambientado numa montanha dividida em sete terraços, que correspondem aos sete pecados capitais, nos quais as almas penadas fazem suas penitências. Durante o trajeto através dos terraços, Dante continua sendo guiado por Virgílio. Na VII Bienal, o Purgatório foi o modelo escolhido para representar a “cesura” da contemporaneidade, o hiato no qual estamos todos imersos, vivendo a turbulência emocional dos horrores do “não-sonho”, que, muitas vezes, substituem espuriamente a função do “sonhar”.
Estudaremos os fatores envolvidos nessa ‘travessia’: saturação sensorial e informacional (pletora de informações, de telas/imagens e de estímulos), ‘aceleramento’ do tempo (ritmos vertiginosos, ausências de pausas, incapacidade para a contemplação), perda de referências simbólicas com esvaziamento dos significados (sejam intelectivos, culturais, políticos e/ou espirituais), trauma social (guerras, pandemias, desigualdades, preconceitos, crise climática etc.), cultura da performance e da positividade tóxica (pressão por produtividade, visibilidade e sucesso em oposição a introspecção e interioridade), ruptura dos continentes sociais consagrados (família, Estado, instituições), entre outras hipóteses.
A mesa intitulada “O Inferno: colapso do sonho e da função do sonhar” enfocará as origens da questão que estamos levantando: aparentemente, o ser humano ‘desaprendeu’ a sonhar e se entretém com sonhos já prontos veiculados pela internet.
O Inferno de Dante é ambientado em um imenso funil subterrâneo, criado pela queda de Lúcifer, que se encontra dividido em nove círculos, nos quais as almas são punidas conforme a gravidade de seus pecados. No percurso através dos círculos infernais, Dante é guiado pelo poeta Virgílio, que, como todos os pagãos virtuosos e as pessoas não batizadas, habitava o Limbo, o primeiro círculo do Inferno.
Podemos “sonhar” que Virgílio simboliza uma relação fraterna, um vínculo amoroso com a Verdade, que busca sustentar emocionalmente Dante em sua travessia por cada um dos nove círculos infernais. Virgílio (70 a 19 a.C.) foi um poeta romano da antiguidade, autor da Eneida e considerado como o mais sábio dos poetas pagãos. Virgílio representa a razão, a filosofia e a sabedoria clássica; isto é, o máximo que o intelecto humano pode alcançar sem a revelação divina (o Paraíso).
O encontro entre os dois protagonistas ocorre no Canto I do Inferno, logo após Dante se perder na “selva escura”, a metáfora de sua crise moral e espiritual.
“E eis que, quase ao início da ladeira, surgiu diante de mim uma onça ligeira, coberta de um pelo malhado e vistoso.
Enquanto eu descia para o vale escuro, apareceu diante de meus olhos alguém que parecia calado há muito tempo.
Quando o vi nesse vasto deserto, exclamei: “Tem piedade de mim, quem quer que sejas, sombra ou homem verdadeiro!”
Ele respondeu: “Não homem agora, mas homem já fui; meus pais foram lombardos, e de Mântua era nossa pátria.
Nasci sob Júlio, ainda que já tarde, e vivi em Roma sob o bom Augusto, no tempo dos falsos e mentirosos deuses.
Fui poeta, e cantei do justo filho de Anquises que veio de Troia depois que a soberba Ílion foi destruída.
Mas tu, por que voltas a tanta dor? Por que não sobes o deleitoso monte que é origem e causa de toda alegria?”
Dante reconhece em Virgílio um colaborador e o invoca como guia e mestre. Virgílio responde com humildade e oferece conduzi-lo através do Inferno e do Purgatório até o ponto em que Beatriz, a amada de Dante que enviara Virgílio ao seu resgate, assumirá a condução até o Paraíso. Virgílio representa a voz da razão que responde ao desespero de Dante, devolvendo-lhe um sentido e uma direção no meio da “selva escura”.
Nessa Bienal, o modelo do Inferno será usado para abarcar hipóteses sobre as eventuais origens do colapso da função do “sonhar” na contemporaneidade. Estudaremos os fatores envolvidos nessa ‘queda’: a insatisfação social global no período pós-guerras, o impactante advento da internet, das mídias e redes sociais, a polarização da sociedade levando a movimentos de luta-e-fuga ou messiânicos, entre outras hipóteses. O que teria nos levado a isso?
Ligiana Costa é brasiliense, nascida em São Paulo. Estudou canto lírico na UnB e fez especialização em canto barroco em Haia, na Holanda. De lá, seguiu para a Itália onde concluiu mestrado em filologia musical da renascença e idade média em Cremona e depois para a França, onde fez doutorado sobre ópera barroca junto ao Centro De Estudos da Renascença de Tours em co-orientação com a Universidade de Milão (Itália). Nesta época começou a cantar música brasileira e, logo em seguida, descobriu o gosto pela composição. Fez diversos shows na França e na Itália cantando sambas até que, depois de dez anos de velho mundo, retornou ao Brasil e lançou seu primeiro disco, De amor e Mar, gravado entre São Paulo, Paris e Brasília. Com este trabalho se apresentou em palcos diversos (de Dakar à Garanhuns, da Bulgária a Brasília). Em 2013 Ligiana lançou o disco Floresta, produzido e arranjado pelo maestro Letieres Leite e gravado em Salvador. Desde 2015 Ligiana vem se dedicando ao seu duo de música eletrônica barroca, NU (Naked Universe), em parceria com Edson Secco. NU já circulou pelo Brasil, Estados Unidos e Europa e tem dois discos lançados, o mais recente é Atlântica (2019). Ligiana assinou o programa diário matinal da rádio Cultura FM com enfoque na música clássica e cruzamentos e tem publicado livros ligados aos estudos musicológicos pela editora da Unesp e ministrado cursos sobre ópera e de voz pelo Brasil. Concluiu recentemente pós doutorado pela USP e publicou pela EDUSP o resultado de sua pesquisa, O Corego, premiado com o Prêmio Flaiano (2018) na Itália. Ligiana apresenta e dirige o podcast do Theatro Municipal de São Paulo e também é membro do comitê curatorial da temporada do teatro. Lançou em 2020 o disco EVA, produzido por Dan Maia e inteiramente vocal. Vem se apresentando com este trabalho e foi a única artista brasileira a se apresentar no prestigioso Namm’s Global Livestream Show em 2021. Em 2022 apresentará no Theatro São Pedro de São Paulo seu projeto operístico com produção musical de Dan Maia e Gilberto Monte contemplado pelo Proac.
Leopoldo Fulgencio. Professor Associado (Livre-Docente) do Instituto de Psicologia (USP). Autor de O Método Especulativo em Freud (2008, EDUC), Freud e Mach. Influências e Paráfrases (2016, Concern), Por que Winnicott? (2016, Zagodoni) e Psicanálise do SER (2020, EDUSP). Organizador, junto com outros colegas, de Freud na Filosofia Brasileira (2004, Escuta), A Fabricação do Humano (2014, Zagodoni; Prêmio Jabuti de 2015), Amar a si mesmo e amar o outro. Narcisismo e sexualidade na psicanálise (2016, Zagodoni; finalista do Prêmio Jabuti de 2017), A bruxa metapsicologia e seus destinos (Blucher, 2018, onde reúne seus artigos publicados no International Journal of Psychanalysis em seu diálogo com Simanke, Imbasciati e Girard, sobre a metapsicologia), Modalidades de pesquisa em psicanálise: métodos e objetivos (Zagodoni, 2018), Objetivos do tratamento psicanalítico (2020, Concern), Psicanálise do Ser. A Teoria Winnicottiana do Desenvolvimento Emocional como uma Psicologia de Base Fenomenológica (2020, EDUSP-FAPESP). Ex-coordenador do Grupo de Trabalho Psicanálise, Subjetivação e Cultura Contemporânea (de 2014 a 2017) da ANPEPP (Associação Nacional de Pós-Graduação em Psicologia); ex-coordenador do Grupo de Trabalho Filosofia e Psicanálise (de 2004 a 2006) da ANPOF (Associação Nacional de Pós-Graduação em Psicologia; Editor da Revista de Filosofia e Psicanálise Natureza Humana (de 2006 a 2009). Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento Humano do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5730-7626
Email: lfulgencio@usp.br
Vladimir Safatle, professor titular da Universidade de São Paulo, psicanalista, professor convidado das Universidades de Paris 1, Paris 7, Paris 8, Paris 10, Toulouse, Louvain, Essex e visiting scholar da Universidade de Califórnia- Berkeley. É coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip/USP), autor de vários livros sobre psicanálise, filosofia e política. Um de seus últimos livros ” Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico” foi finalista do prêmio Jabuti 2022.
Atriz; Arte-educadora; Contadora de Histórias; Performer; Direção Teatro e Cinema-Vídeo; Produtora.
Bacharel em Cinema-Comunicação (FAAP-SP) /Fundadora do Grupo de Teatro LOS MUCHOS tchá-tchá-tchá (desde 1997) /Atriz em espetáculos teatrais com Grupo Fora do Sério, Cia. Cornucópia de Teatro, Cia. Balaco do Baco, Cia Dalapagarapa./ Participação como atriz e contadora de Histórias na Feira do Livro de Ribeirão Preto: Espetáculos Encerramento com Duo de Acordeonistas Gilda Montans e Meire Genaro sobre Cora Coralina e sobre Mário de Andrade- SAM 22 e outros/ Espetáculo “O que é que a Carmen Miranda tem?” com Sexteto Colibri- Dir.: André Cruz/ Foi Emilinha em “As Cantoras do Rádio”; Dir. Renato Grecco/ Performances teatrais e vídeo-arte junto à SBPRP- Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP), participando do Congresso Internacional de Bion- Ribeirão Preto em 2018 e Espanha -2020. E outros eventos da SBPRP/ Prêmio de Melhor Atriz Festival de Vídeo R.G. do Sul/ Indicação Melhor Atriz “Romeu e Julieta”./ Filme: “O Nariz”- com Grupo Fora do Sério- Dir.: Jonas Golfeto/ Professora de Teatro Escola Miró / Biblioteca e Histórias – Escola Semente/ Diversos trabalhos artísticos: SESC; Escolas; Universidades; Festivais e outros.
UMA TRAJETÓRIA SINGULAR
Já se vão 34 anos desde que Renan Barbosa iniciou sua carreira artística, participando de um festival de MPB com uma canção de sua autoria. Paraibano de Campina Grande, ele passou, desde então, a dividir seu tempo entre duas grandes vocações: a música e a psiquiatria — especialidade médica que ele concluiu em 1993, no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto.
Naquela época, Renan já deixava claro seu caráter múltiplo e singular. E pelo interior paulista levou seus projetos musicais a teatros, casas de shows e unidades do Sesc. Até que, em 2005, mudou-se para a capital paulista, onde reside até hoje.
Na cidade de São Paulo, Renan expandiu as parcerias de criação e se cercou de grandes músicos e produtores, alcançando maior visibilidade e consolidando uma sólida trajetória, sem se desgarrar das raízes nordestinas.
Em 2011, foi o idealizador, produtor e um dos intérpretes do show Os homens de Chico, com foco nos personagens masculinos das canções de Chico Buarque, em três sessões com ingressos esgotados no teatro do Sesc Pompeia.
Em 2012, como integrante do Coletivo Cabeu (ao lado de Adriana Petroni, Mário Martinez e Fabio Cadore), lançou o EP homônimo, com show no SESC São Carlos. Por mais de dois anos, o grupo se reuniu para compor a oito mãos. Renan gravou várias canções do grupo.
Somente em 2014, quando somava 25 anos de trajetória musical, o artista lançou seu primeiro álbum, A voz do agora. O projeto teve direção musical de Dino Barioni, participações especiais de Toninho Ferragutti e Mário Manga, fotografia de Gal Oppido e incluiu composições inéditas de Fred Martins, Francisco Bosco, Alice Ruiz, Mário Martinez, Cassandra Véras, Coletivo Cabeu, entre outros.
Em 2019, gravou o EP Não sou melhor do que tu, no qual incorporou uma estética roqueira, inspirado nos ídolos Cássia Eller e Cazuza. Nesse meio tempo, estreou o show Do desejo, a partir do cancioneiro de Chico Buarque (personagens femininas) e poemas de Hilda Hilst. Com esse show, esteve em palcos de São Paulo e da Paraíba por três anos, não sem dar vazão a outros espetáculos, como Viço, Singularplural, Se todo mundo sambasse seria tão fácil viver, A vida se alarga quando um ponto finda e Passagem da noite.
No ano de 2019, fez uma participação no álbum A babel dos bichos, projeto infantil de Mário Martinez & Adriana Petroni, com a música Tô com a macaca.
No final de 2021, lançou o EP “Humano, demasiado insano”, apresentando músicas que, de alguma forma, refletem os conflitos do ser humano contemporâneo em relação ao tempo, aos seus desejos e ao seu papel no planeta. Tem feito shows em torno do deste EP, com sua banda.
Bióloga, Profa. Dra. Pesquisadora do Instituto Socioambiental
Noemi Jaffe é escritora, professora de literatura e de escrita e crítica literária. Doutorouse em Literatura Brasileira pela USP. Publicou “O que os cegos estão sonhando” (Ed. 34-2012), “A verdadeira história do alfabeto” (Companhia das Letras – 2012), vencedor do Prêmio Brasília de Literatura em 2014, “Irisz: as orquídeas”(Companhia das Letras – 2015), “Não está mais aqui quem falou”(Companhia das Letras – 2017) e “O que ela sussurra”, entre outros. Desde 2016, mantém o Centro Cultural Literário Escrevedeira, em parceria com Luciana Gerbovic e João Bandeira
Psicóloga, Psicanalista, Membro efetivo e analista didata da SBPSP
Atualmente, membro da Diretoria de Cultura e Comunidade da SBPSP
Coordena seminários clínicos e teóricos sobre Psicanálise e Arte, tendo artigos e capítulos de livros publicados nessa interface.
Desenvolve atividades em Desenho e Ilustração.
Autora e ilustradora de dois livros infantis, publicados pela Editora Estúdio Aspas: “A grande vitória” e “Nara, a menina invisível dos olhos fugitivos”
“Maria Luiza Gastal – Psicanalista da SPBsb, professora assistente do Instituto de Psicanálise Virginia Leone Bicudo, membro do Comitê de Clima da IPA. Bióloga, doutora em Ecologia pela Universidade de Brasília, professora aposentada da UnB.”
Marcelo Gleiser é um cientista de renome internacional, professor titular de física e astronomia no Dartmouth College, doutorado pelo King’s College de Londres. É autor de mais de 100 artigos especializados e milhares de ensaios, publicados desde o New York Times à revistas infantis. Detentor do Presidential Faculty Fellows Award, dado em 1994 pelo então presidente Bill Clinton, conselheiro geral da Sociedade Americana de Física, vencedor de três prêmios Jabuti, autor de 15 livros com traduções em 17 línguas, presença em diversos documentários e séries de TV no Brasil e no mundo, colunista da Folha de São Paulo de 1997 a 2018, ex-diretor do Instituto de Engajamento Interdisciplinar do Dartmouth College. Marcelo é um dos intelectuais públicos de maior impacto no pensamento contemporâneo brasileiro e mundial. Em 2019, foi o primeiro latino-americano a vencer o Prêmio Templeton, um dos mais prestigiosos do mundo, dado também à Madre Tereza de Calcutá e Dalai Lama, dentre outros.
Psicanalista IPA – membro Italian Psychoanalytical Society (SPI)
Lorena Preta é psicanalista italiana, Membro da Italian Psychoanalytical Society (SPI) e da International Psychoanalytical Association (IPA).
Graduou-se em Filosofia na Universidade La Sapienza de Roma com uma tese fora da faculdade em Psiquiatria intitulada Trabalho em grupo nas instituições .
Diretora da International Research Group Geographies of Psychoanalysis.
Ex Editora-Chefe da Psiche (Journal of Psychoanalysis and Culture of the SPI).
Durante muitos anos foi Consultora Científica e Diretora da Spoletoscienza (Encontros de Ciência e Cultura no “Festival of Two Words” em Spoleto).
Autora de muitas publicações, algumas também publicadas no exterior. As últimas:
Dislocated Subject (2009), The Brutality of Things, Psychic Transformations of Reality (2015), Prendersi Cura (2020).
Khadim Ndiaye é senegalês, residente no Brasil. Artista da dança, coreógrafo e educador. Apaixonado pelos impulsos criativos do corpo. Formado em dança africana contemporânea e neoclássica na academia de dança Alvin Ailey – Senegal (2015) Khadim começa sua trajetória artística através do teatro. Em 2006 passa a integrar a grande Cia Ballet Silaba, com quem desenvolve as danças tradicionais de Guiné e com quem participa de diversas criações e festivais. Teve formação clássica com o Ballet André Lorenzetti no Senegal. Participou do Festival de Artes Negra junto ao Ballet Nacional do Senegal – La Linguère em 2010. Desde 2012 é integrante da Cia SeneAfrica, direção de Ibrahima Sarr. Premiado em primeiro lugar no concurso Oscar de Vacances (2010 e 2014) Em 2014 participa de sua primeira formação na École des Sables, da consagrada bailarina, coreógrafa e pedagoga Germaine Acogny. Berço da dança africana contemporânea no Senegal, a École des Sables segue até os dias de hoje sendo sua morada de pesquisa e desenvolvimento coreográfico. Co- fundador e coreógrado da Cia Dáll Déllu, conexão Brasil – Senegal, com a qual realizou os espetáculos Amálgama (2020) e LIILA (2021). À partir de 2017 passa a contribuir com Cia’s na Europa e no Brasil, como PARSYIAM (2018) e Ibeu lo (2019)
Psicanalista, membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, diretora científica gestão 17/19, membro da diretiva Fepal 21/22, membro fundador e ex-coordenadora do Projeto Ubuntu (Bolsas Formação para colegas negros, negras e indígenas), artigos publicados na Revista Brasileira de Psicanálise, Revista da SBPdePA e da SBPSP e no Observatório Psicanalítico (Febrapsi)
Analista Didata da Sociedade Psicanalitica de Porto Alegre
Professor Emérito de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Ex Presidente da IPA e da FEPAL
Prêmio Sigourney de Psicanálise, 2011
Autor de trabalhos, capítulos e livros sobre a formação, a prática e as instituições psicanalíticas, o processo de envelhecimento e as relações da psicanálise com a cultura e a psiquiatria.
Catharina Conte divide nos papéis de atriz, diretora, performer, professora de teatro e filmmaker e se define como Multiartista. Graduou-se em Produção Audiovisual pela PUCRS e concluiu o Bacharelado em Teatro com ênfase em atuação na UFRGS. Seu trabalho COMO SOBREVIVER AO FIM DO MUNDO foi premiado com Melhor Atriz e Direção Revelação Prêmio Açorianos em 2014. Estudou na New York Film Academy, em 2010 em Los Angeles. Em julho de 2016, estudou com Berty Tovias em Barcelona. Em 2016, Catharina dirigiu “CLOSER: o amor é suficiente?” de Patrick Marber, encenado no Sul do Brasil. Em 2018, se mudou para Londres em busca de novas trajetórias artísticas. É colaboradora do grupo LegalAliens Theatre e StoneCrabs Theatre. Dirigiu o show “THE SKY FIVE MINUTES BEFORE A STORM”, da brasileira Silvia Gomez, apresentado recentemente no Southwark Playhouse, em Londres.
Psicanalista. Membro Associado da SBPSP e Membro Efetivo com função didática da SBPRP.
Professora do Departamento de História – UnB
Coordenadora Regional Centro-Oeste do GT Emancipações e Pós-Abolição – Anpuh
Diretora-Geral do Arquivo Nacional (Brasília/ Brasil)
Integrante da Rede de Historiadoras Negras e Historiadores Negros Colunista Presença Histórica – UOL